fichas de estudo unidade 5
 
 
 
FICHAS DE ESTUDO UNIDADE 5
A DIMENSÃO ESTÉTICA DO AGIR
 
Capítulo 1
A experiência estética
 
1 – Segundo Kant, a experiência estética só é possível se na relação com os objectos adoptarmos uma atitude desinteressada. Aprofundando essa caracterização, Kant afirma que a atitude típica da experiência estética:
a) Não é uma atitude prática ou utilitária.
b) Não é uma atitude cognitiva (de conhecimento).
c) Não é uma atitude subordinada, em si mesma, a princípios e objectivos morais.
 
2 - Segundo Bullough, a experiência estética exige uma atitude de distanciamento psíquico. O carácter peculiar do “distanciamento” consiste no seguinte: o sujeito coloca-se perante o objecto da sua contemplação como se a sua personalidade tivesse sido filtrada, ficando isenta de qualquer preocupação prática.
 
3 – O problema da justificação dos juízos estéticos consiste em saber de que depende a verdade desses juízos. Depende do que sentimos ao observá-los ou de características que estão nos próprios objectos? A esta questão dão resposta duas teorias: o subjectivismo estético e o objectivismo estético.
Segundo o subjectivismo estético, um objecto é belo ou feio em virtude de sentirmos prazer ou desprazer ao observá-lo. A beleza ou fealdade dependem, não das propriedades intrínsecas do objecto, mas dos sentimentos que em nós provoca e desperta.
 Segundo o objectivismo estético, um objecto é belo ou feio em virtude de propriedades ou características que nele se encontram ou que lhe pertencem. A beleza e a fealdade dos objectos não dependem dos sentimentos ou das reacções de quem os observa.
 
 
Capítulo 2
O que é a arte?
 
Houve ao longo da história do pensamento diversas concepções sobre o que é a arte. Essas diferentes concepções são reveladoras dos problemas que a definição de arte suscita.
 
Concepção da Arte como Imitação do Real
 
A ideia de que a arte — e sobretudo a pintura — imita ou deve imitar a realidade, constituindo-se como uma cópia ou espelho no qual os objectos são reflectidos o mais fielmente possível, tem uma longa tradição. Não tendo hoje em dia aceitação nos meios artísticos ou nas teorias sobre a arte, continua, contudo, a seduzir a opinião pública em geral.
 
Críticas à Concepção da Arte como Imitação do Real
 
1 – Esta concepção baseia-se numa concepção ingénua da realidade.
A realidade não se reduz aos objectos da nossa percepção imediata. A física ensina-nos que os constituintes últimos da matéria (electrões, protões, neutrões) não são objectos dos nossos sentidos nem, rigorosamente falando, coisas. Aquilo a que chamamos real não é nada de evidente. Se olharmos para um quadro de Picasso podemos dizer que aquilo que mostra é tão pouco evidente como a realidade que os físicos se esforçam por compreender. Não vendo as coisas como elas são (não vemos os átomos de que é feita uma mesa), podemos, como faz Picasso, imaginar e pintar num quadro a dimensão imperceptível das coisas. Em certo sentido, a realidade é o que não vemos ou percepcionamos. Há na realidade dimensões — como a dimensão subatómica da matéria — inacessíveis aos sentidos: as coisas não são como as percepcionamos à escala humana. A arte não pode imitar a realidade, mas unicamente simulá-la, ultrapassando a visão simplificada que temos das coisas e tornando visível através da imaginação a sua complexa estrutura.
 
2 – O artista não representa as coisas que vê, mas o modo como vê e também como imagina as coisas. O quadro aparentemente mais “realista” está condicionado na sua criação pela experiência do artista, pelos seus sentimentos, pela forma como avalia as relações sociais do seu meio, pelos ideais que, porventura, queira transmitir.
 
A Arte como Expressão
 
Uma famosa versão do conceito de arte como expressão é a teoria de Tolstoi, célebre romancista russo, autor de Guerra e Paz e de Anna Karenina.
O que é a arte para Tolstoi? É a comunicação intencional de sentimentos. Na obra de arte o artista cria algo que exprime o sentimento que ele experimentou. Segundo Tolstoi, a criação de uma obra de arte é um processo constituído pelos seguintes momentos: primeiro, o artista tem uma experiência ou um sentimento que pode ser o medo ou a alegria, a angústia ou a esperança. Decide então partilhar esse sentimento com os outros, incuti-lo, dar-lhes esse mesmo sentimento de modo a que eles se tornem, por exemplo, alegres e esperançados ou angustiados e receosos. Para comunicar este sentimento aos seus semelhantes, cria uma obra de arte — uma história, um romance, uma peça teatral, um poema, um tema musical, que lhe dará de novo aquele sentimento original que a motivou. Mas — mais importante — produzirá nos outros homens o mesmo tipo de sentimento. A arte é essencialmente uma forma de comunicação no sentido em que o sentimento que levou o artista a criar a sua obra é também vivido pela sua audiência. O artista não se limita a descrever o seu sentimento de alegria ou de dor; não se limita a revelar ou a mostrar o seu sentimento de raiva ou de medo; o artista partilha os seus sentimentos com os seus semelhantes (os outros homens) criando uma obra de arte que os faz sentirem-se alegres, aterrorizados, etc.
 
A Arte como Transfiguração da Realidade
 
Cada obra de arte introduz-nos, em maior ou menor grau, nesses mundos imaginários ou fictícios.
Quererá isto dizer que a obra artística nada tem a ver com a realidade, a vida, o mundo real?
A arte é uma modalidade específica de vivência do mundo e de organização da experiência humana.
O que o artista cria corresponde a uma transfiguração do mundo real. O universo artístico é o real transfigurado, recriado, nunca algo de absolutamente irreal. Podemos dizer que o artista abre à realidade as portas da imaginação e alarga o horizonte da nossa experiência sensível e também pensante. A arte é criação de formas sensíveis (literárias, pictóricas, cinematográficas, etc.) que, mesmo quando parecem não o fazer, interpretam a realidade enriquecendo-a com novas perspectivas e modalidades de expressão.
 
A Arte é Conhecimento.
 
A arte é uma forma de organização do mundo que transforma e transfigura a experiência vivida dando-a a conhecer, não mediante conceitos abstractos, mas através do sentimento e da imaginação.
 
 
A Arte como Símbolo
 
Para alguns filósofos da arte, a teoria da expressão deve ser substituída e, no mínimo, completada por uma teoria da significação. Por outras palavras, a arte seria mais profundamente definida como símbolo de sentimentos — e de outros processos psíquicos — do que como sua expressão. Algumas obras de arte, em especial as musicais, são a representação icónica de certos processos psicológicos. Deve notar-se que esta definição de arte é de difícil generalização dada a dificuldade em interpretar muitas manifestações artísticas, sobretudo as actuais.
 
A Arte como pura forma
 
Na obra de arte, em geral, podemos distinguir dois planos: o plano do conteúdo (o tema, a mensagem, a história ou os sentimentos que a obra pretende comunicar) e o plano da forma (a forma é o meio de materialização do conteúdo). Assim sendo, pode haver diferentes maneiras de expressar um mesmo conteúdo. Para os partidários da concepção de arte como pura forma, o especificamente artístico é a forma. A arte deve ser esvaziada de qualquer conteúdo. A arte não deve ter qualquer preocupação temática ou em transmitir uma mensagem. A arte abstracta é o expoente máximo desta perspectiva. Nela manifesta-se de modo superior a autonomia da arte a respeito de qualquer intenção ou exigência de representar a realidade.
 
CAPÍTULO 3
 
As Funções da Arte
 
1 – Há quem defenda que a arte tem valor em si. Para esta perspectiva, a única finalidade que o artista deve ter é produzir e criar uma obra genuína e realmente artística. A arte não deve promover princípios éticos e políticos. Deve ser alheia a propósitos pedagógicos e moralizadores.
 
2 - Em Aristóteles, a arte está ao serviço da moralidade. A arte tem como principal função a melhoria moral dos seres humanos. Para o filósofo grego, as tragédias com valor artístico são as que ensinam aos espectadores que não há uma correspondência necessária entre as qualidades morais de um ser humano e as suas circunstâncias, isto é, entre virtude e felicidade. A riqueza e a cultura são muitas vezes insuficientes para tornar um ser humano virtuoso. A boa tragédia ensina que para sermos felizes é necessário, embora não suficiente, por causa das circunstâncias, exercitar as virtudes morais.
 
 3 – Quem defende a função evasiva da arte afirma que esta é uma forma de escapar à rotina quotidiana e de iludir momentaneamente os aspectos dolorosos quer da nossa existência pessoal quer da vida e da condição humanas.
 
 
Capítulo 4
 
A dimensão social e humana da arte
 
 
1 - A obra de arte não é pura e simplesmente a manifestação da individualidade e da vida interior do artista. Nela exprimem-se também múltiplos aspectos da época em que o artista viveu, da sociedade e do grupo social a que pertenceu. A produção artística, que seria errado reduzir a mera expressão do modo de agir, sentir e pensar da colectividade, da época ou da sociedade no seio da qual a actividade do artista se desenvolve, não pode ficar imune às transformações históricas, políticas, económicas, religiosas e científicas que marcam as diversas gerações humanas.
 
2 - Muitas obras de arte não se limitam a ser testemunhas da sua época, a captar e a retratar comportamentos, atitudes, modos de ser. Representam aspectos essenciais da vida ou condição humana. À sua maneira, as obras de arte dão-nos uma visão ou concepção do que é a existência humana, muitas vezes de uma forma dolorosa e agudamente crítica.
 
 
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Nesta secção podemos encontrar um conjunto de Fichas de Estudo relativas a cada unidade.
Tal como acontece ao longo deste site apenas algumas actividades de cada unidade foram seleccionadas e apresentadas.