actividades
 
 
 
ACTIVIDADES
Unidade Inicial - Capítulo 1
 
Os três elementos centrais da actividade filosófica são os problemas, as teorias e os argumentos.
Que relação existe entre esses três elementos?
 
Dos problemas seguintes assinala os que são filosóficos. Justifique a sua resposta.
 
a) Como combater a sida?
b) O que é a sida?
c) Que devo fazer para não contrair sida?
d) Será que os programas de televisão violentos provocam um aumento da agressividade do comportamento das crianças que a eles assistem?
e) As lesões cerebrais provocam alterações de personalidade?
f) O que distingue uma obra artística de uma obra não-artística?
g) A pena de morte é moralmente legítima?
h) Será que graves deficiências de nutrição na infância impedem
um desenvolvimento adequado da inteligência?
i)É possível falar de normas morais objectivas sem Deus? Pode a moral ser independente da religião?
j) Será que podemos ser responsabilizados pelas nossas acções se não formos livres?
 
Unidade Inicial - Capítulo 2
 
 
Distinga, nas frase seguintes, as proposições universais afirmativas das proposições universais negativas:
 
a) Não há alemão nenhum que não seja orgulhoso.
b) Qualquer jogador de futebol é inteligente.
c) Não se tem conhecimento de tigres que não sejam carnívoros.
d) A honestidade não é própria dos políticos.
e) Os produtos lácteos contêm vitaminas.
f) Os atletas que recebem dinheiro para participar em competições desportivas não podem ser considerados amadores.
g) Os portugueses não são avarentos.
 
Encontre a negação das proposições seguintes:
 
a) Todos os portugueses são altos.
b) Nenhum poeta é formado em direito.
c) Se não adoecer então vou ao cinema.
d) Se este objecto é artístico então é belo
 
Verifique se as seguintes proposições são consistentes:
 
a) Todos carros são movidos a gasolina/ Nenhum carro é movido a gasolina
b) Há portugueses que sofrem de reumatismo/Há portugueses que não sofrem de reumatismo.
 
Encontre a proposição que contradiz a seguinte:
 
a) O desporto é uma actividade educativa
 
 
 
Unidade Inicial - Capítulo 2
 
O que distingue uma frase de uma proposição?
Que diferença há entre estas duas frases: « Abre o carro!» e « O carro está aberto»?
Distinga estas duas frases. « Há vida em Marte.» e « Será que há vida em Marte?».
 
Unidade Inicial - Capítulo 2
 
Distinga, nas frases seguintes, as proposições universais afirmativas das proposições universais negativas:
 
a) Não há alemão nenhum que não seja orgulhoso.
b) Qualquer jogador de futebol é inteligente.
c) Não se tem conhecimento de tigres que não sejam carnívoros.
 
Encontre a negação das proposições seguintes:
 
a) Todos os portugueses são altos.
b) Nenhum poeta é formado em direito.
 
Encontre a proposição que contradiz a seguinte:
 
a) O desporto é uma actividade educativa
 
 
Unidade Inicial - Capítulo 2
 
Quando afirmamos que B é a condição necessária de A estamos a dizer que todo o A é B (não se pode ser A sem ser B), ou seja, quando afirmamos que ladrar é condição necessária para ser cão estamos a dizer, «Todos os cães ladram» ou « Se é cão então ladra». Em suma, dizer que ser animal que ladra é condição necessária para ser cão é dizer que não se pode ser cão sem ser animal que ladra, que só os animais que ladram são cães.
 
Quando afirmamos que B é condição suficiente de A estamos a dizer que  todo o B é A(não se pode ser B sem ser A),ou seja, quando afirmamos que ser cão é condição suficiente para ser animal que ladra, estamos a dizer «Tudo o que ladra é cão» ou que «Se ladra então é cão». Em suma, dizer que ser animal que ladra é condição suficiente para ser cão é dizer que só os cães são animais que ladram.
 
Tendo presentes estes esclarecimentos tenta resolver os seguintes exercícios preenchendo correctamente os espaços em branco:
 
a) Se uma coisa puder ser flor sem ser rosa então ser uma rosa não é uma condição ________________ para ser flor.
 
b) Se uma coisa não pode ser uma rosa sem ser uma flor então ser uma flor é uma condição ______________ para ser uma rosa.
 
c) Se não posso morar em Londres sem viver na Inglaterra, então viver na Inglaterra é condição_____________ para morar em Londres.
 
Avalie as seguintes definições, isto é, verifique se a definição de A apresenta as condições necessárias e suficientes para que A seja o que é.
 
a) O ser humano é um mamífero (por outras palavras, ser mamífero é condição suficiente para ser humano, ser mamífero garante que algo é humano)
b) O gato é animal que mia.
c) Um soldado é uma pessoa corajosa
 
 
 
Unidade 2 - Capítulo 1
 
Identifique os conjuntos de frases que são argumentos:
 
a) Mariana é mortal porque é humana e todos os seres humanos são mortais. B) Porque todos os crimes são violações da lei e roubar é um crime, o roubo é uma violação da lei.
b) “No Irão, os adúlteros de ambos os sexos são punidos com a lapidação pública. Os homens que cometerem adultério são enterrados até à cintura e apedrejados; as mulheres adúlteras são-no também, só que são enterradas até aos sovacos. Quem conseguir libertar-se é ilibado.”
c) Proibir a publicidade ao tabaco fará aumentar o seu consumo. Com efeito, se a publicidade ao tabaco for proibida os produtores pouparão o dinheiro que nela gastariam e para competirem uns com os outros reduzirão o preço do tabaco.
d) “Já repararam decerto. Uma das coisas mais incómodas é viajar com alguém num elevador. Não falo dos ascensores multitudinários como os dos hospitais ou coisas assim: falo dos das nossas casas que utilizamos com um vizinho conhecido”.[Vergílio Ferreira, Conta-Corrente, 4]
e) Mariana é mortal porque é humana e todos os seres humanos são mortais.
f) Deus criou-te. Por isso, cumpre os teus deveres para com Deus.
 
 
Validade e solidez dos argumentos dedutivos
 
Distinga as afirmações verdadeiras das falsas
 
1 – Um argumento válido é por isso mesmo sólido ou bom.
2 – A validade é condição necessária e suficiente para que um argumento seja sólido.
3 – Para um argumento ser válido basta que as suas premissas sejam de facto verdadeiras.
 
Qual dos seguintes argumentos é dedutivo? Justifique
 
a) Jefferson foi presidente dos EUA
    Todos os presidentes dos EUA foram homens
    Logo, Jefferson foi um homem
 
b) Trudeau foi primeiro ministro do Canadá
    Todos os primeiros- ministro do Canadá, excepto um, foram homens
    Logo, Trudeau foi um homem
 
 
Considere os seguintes argumentos e mostre por que razão b) é um contra-exemplo de a)
 
a) Todos os cães têm quarto patas
    O meu gato tem quatro patas
    Logo, o meu gato é um cão
 
b) Todas as intervenções militares exigem a aprovação do Parlamento
O orçamento para a educação exige a aprovação do Parlamento
Logo, o orçamento para a educação é uma intervenção militar
 
Critique os seguintes argumentos:
 
a)  Se choveu então a rua está molhada
     A rua está molhada
     Logo, choveu
 
b) “Defendo a pena de morte porque a punição deve ser proporcional ao crime realizado. O castigo para quem mata deve ser morrer. Quem com ferro mata com ferro deve morrer. A punição de cada assassino deve ser adequada ao mal que causou à vítima”.
 
Unidade 2 - Capítulo 1
 
1 - Distinga acção de acontecimento.
 
2 - Uma acção é algo que um agente faz acontecer.
 
Por que razão esta caracterização não é suficiente para nos dizer o que é uma acção
 
3 - Considere o seguinte caso:
 
"Filha de um rico industrial, Filipa foi raptada. Os raptores exigem como resgate 200 000 contos em dinheiro no prazo de uma semana. O pai de Filipa rejeita a hipótese de avisar a polícia e consegue reunir a soma exigida. Num local desabitado e fora do alcance . de olhares indiscretos - escolhido, como é óbvio, pelos raptores -, entrega a mala com o dinheiro e regressa a casa com a filha.
a) Qual o motivo da acção do pai de Filipa.
b) O comportamento do pai de Filipa implica uma decisão. Consideras que havia várias possibilidades à escolha? Ou que só havia uma e havia que decidir realizá-la ou não?
c) Qual o meio utilizado?
 
 
Unidade 2 - Capítulo 1
 
1 – Esclareça o que são valores?
 
2 – Que relação existe entre os valores que prezamos e as nossas acções e  decisões?
3 – Nas proposições seguintes distinga juízos de facto de juízos de valor:
 
a) Esta faca é afiada
b) O Miguel mentiu.
c) Vivaldi e Mozart são compositores.
 
 
Unidade 2 - Capítulo 2
 
Preencha os espaços em branco:
 
Se, por um lado, o determinismo parece implicar a inexistência de livre arbítrio, por outro, o livre arbítrio parece implicar a falsidade do determinismo. A ideia é a seguinte: o _______________consiste em poder escolher entre várias acções possíveis. Mas, para podermos escolher entre várias acções possíveis é necessário que não esteja tudo ________________, caso contrário poderíamos apenas fazer a acção que estivéssemos determinados para fazer (não só não haveria várias acções possíveis entre as quais optar, como, mesmo que houvesse, não nos seria possível escolher entre elas). Portanto, para que exista livre arbítrio não pode haver determinismo.
É isto que está na origem do chamado problema do ________________.
 
b) O problema do _______________ é o problema de saber se as  crenças no _______________ e no_______________ podem ser conciliadas e, caso possam, como podem ser conciliadas. Este problema pode ser dividido nos seguintes três problemas:
 
1. É o determinismo verdadeiro?
2. É o livre arbítrio verdadeiro?
3. É ou não possível compatibilizar o determinismo com o livre  arbítrio?
 
 
Unidade 2 - Capítulo 2
 
Imagine que amanhã tem um teste para o qual estudou na biblioteca e um colega lhe diz:« Vem à festa. Para quê estar a estudar e perder uma bela noite? Olha, está tudo determinado. Tudo o que fazes é causado por acontecimentos anteriores que por sua vez são causados por outros que os antecederam e estes por outros, etc. Se vais ter boa ou má nota no teste já está determinado. Nada do que fizeres esta tarde ou esta noite fará a menor diferença. Vem daí, a festa espera por ti.»
Concorda com o seu colega? Considera que lhe deu uma boa razão para deixares de estudar? Acredita que o resultado do teste está determinado? Faça o que fizer já tudo está decidido? Será que determinismo e fatalismo são o mesmo?
 
 
Unidade 2 - Capítulo 2
 
O que significa para Sartre dizer que a existência precoce a essência?
 
Para Sartre, cada um de nós é a possibilidade de ser diferente do que tem sido até agora. Concorda? Porquê?
 
 
Unidade 2 - Capítulo 2
 
Leia as seguintes afirmações e justificando a sua opção distinga as verdadeiras das falsas:
a) Para os deterministas moderados ou compatibilistas são livres as acções realizadas voluntariamente.
b) O determinista moderado considera que livre é a acção que não é causalmente determinada.
c) Os compatibilistas consideram livre uma acção cujas causas determinantes estão no interior do agente, ou seja, somos livres na medida em que as nossas acções não são determinadas e controladas por forças externas.
d) A personalidade do agente,os seus valores,os seus motivos, as suas crenças e desejos são causas internas e segundo o compatibilistas se somos determinados por elas somos responsáveis pelo que fazemos.
 
 
 
Unidade 3 - Capítulo 1
 
2 – As questões seguintes são de escolha múltipla. Seleccione a alternativa correcta e justifique a sua opção.
 
2.1 - Um princípio ético é:
a) Menos geral do que uma norma moral;
b) Algo que deriva do conjunto das normas morais;
c) Um padrão que nos guia somente em certos tipos de acções;
d) Um padrão que pretende julgar todas as situações morais.
 
2.2 - «Age sempre de modo a satisfazer teu interesse próprio» e «Age de tal modo que nunca transformes os outros em simples meios ao serviço dos teus interesses». Estas frases correspondem a:
a) Normas morais;
b) Princípios éticos;
c) Conselhos de prudência;
d) Mandamentos de origem religiosa.
 
2.3 – O objecto fundamental de estudo da ética é:
a) Os problemas morais concretos;
b) Os princípios gerais que devem guiar as nossas acções;
c) As regras que regulam certo tipo de condutas;
d) A distinção entre problemas morais e problemas não - morais
 
 
Unidade 3 - Capítulo 1
 
1– Descubra os princípios ou normas morais nos quais se basearam os seguintes juízos morais:
a) Foi errado teres prometido que ias ao cinema com a Luísa e não teres comparecido.
b) Foi errado teres copiado durante o teste
c) Foi moralmente inaceitável lançar uma bomba atómica sobre alvos não – militares
 
2–  Dê atenção aos seguintes argumentos e verifique se a passagem da premissa à conclusão é logicamente aceitável. Justifique a resposta.
a) É natural comer carne. Logo não devemos tornar-nos vegetarianos.
b) As mulheres tratam melhor dos filhos do que os homens. Por isso, em caso de divórcio as crianças devem ficar a cargo das mães.
c) Os homens têm uma inteligência espacial superior à das mulheres. Por conseguinte, as mulheres não devem ter acesso à profissão de piloto.
 
3– Descubra a premissa que evita que os argumentos seguintes cometam o erro referido por David Hume:
a ) Subornar um juiz é uma tentativa de colocar o sistema judicial ao serviço dos nossos interesses. Logo, subornar um juiz é moralmente errado.
b) Roubar pessoas é prejudicá-las. Assim sendo, roubar é errado.
c) Castigar uma criança por algum erro que cometeu não é moralmente correcto porque qualquer castigo provoca problemas emocionais.
 
4 – Considera bons os seguintes argumentos? Justifique a resposta.
a) «O sexo feminino não deve ter os mesmos direitos do sexo masculino. Na natureza as fêmeas dedicam-se à reprodução e são machos que devido a terem maior força física tem a seu cargo a defesa da família e o seu sustento. No género humano os machos têm as mesmas funções e por isso não devem ser eles a cuidar dos filhos mas as mulheres, que a natureza dotou para tal.»
b) «A doutrina da Igreja é contra as relações sexuais fora do matrimónio. Os meus pais dizem que é perigoso para a saúde esse tipo de relações. Penso pois que é moralmente errado ter relações sexuais com a moça com quem namoro.»
 
 
Unidade 3 - Capítulo 1
 
1 – Procure defender o seguinte argumento. Para isso dê especial atenção à segunda premissa. Utiliza exemplos.
Se o direito e a moral forem equivalentes então o facto de um acto ser legal significa que também é moral.
O facto de um acto ser legal não significa que seja também moral.
Logo, direito e moral não são equivalentes.
 
2 – Há uma ligação de certo modo forte entre direito e moral. Isso significa que:
a) As sanções legais são indispensáveis para a nossa interacção com os outros;
b) As nossas obrigações morais são equivalentes às nossas obrigações legais;
c) Um acto é moralmente aceitável por ser legalmente permitido;
d) Há actos moralmente impermissíveis que também são legalmente proibidos.
 
3 - «Dizer que moral e direito se equivalem é uma forma disfarçada de relativismo moral».
Está de acordo?
 
 
Unidade 3 - Capítulo 1
 
1- Defina subjectivismo moral
 
2- Esclareça por que razão o subjectivismo moral é uma forma de relativismo.
 
3- Para o subjectivismo moral, moralmente correcto é o que cada indivíduo de acordo com os seus sentimentos e o seu código moral aprova.
Suponhamos que Hitler aprovou o extermínio dos judeus (parece não haver dúvidas). Então a sua acção foi correcta, de acordo com o seu código moral. Estaline aprovou também o assassinato de milhões de pessoas que considerava suas inimigas que de acordo com o seu código moral eram perniciosas. A sua acção segundo a teoria subjectivista também foi correcta. Estes exemplos constituem fortes objecções ao subjectivismo moral? Porquê?
 
4 – Uma das principais críticas feitas ao subjectivismo moral consiste em dizer que os sentimentos das pessoas não tornam uma acção boa ou má. Se experimento um sentimento de aprovação ao fazer algo unicamente transmito uma sensação de prazer ou exprimo que gostei do que fiz. Uma acção é boa ou má consoante é aprovada ou não por um indivíduo. Que consequências decorrem desta posição? São aceitáveis? Justifica a tua posição.
 
 
Unidade 3 - Capítulo 2
 
 
1 – O que se entende por relativismo moral cultural?
 
2- O que distingue o subjectivismo moral do relativismo moral cultural?
 
3 – Para o relativismo moral se uma acção for socialmente aprovada ela é correcta. Concorda? A sociedade tem sempre razão? Porquê?
 
4 – Se adoptarmos o relativismo moral cultural terei alguma razão para desobedecer a leis que o meu grupo cultural não aprova? Justifique a resposta.
 
5 – João é contra o sexo antes do casamento e Miguel é a favor. Estamos perante dois juízos opostos: O sexo antes do casamento é moralmente errado e, O sexo antes do casamento é moralmente correcto.
 
Imagine agora duas situações.
 
Caso 1 – Miguel e João são membros de uma mesma sociedade e esta reprova o sexo antes do casamento.
Caso 2 – Miguel e João são membros de sociedades diferentes sendo que uma aprova o sexo antes do casamento e a outra considera erradas as relações sexuais pré-matrimoniais.
Como avaliaria um partidário do relativismo moral cultural cada um dos casos?
Está de acordo com alguma dessas avaliações? Justifique.
 
 
Unidade 3 - Capítulo 2
 
 
1– Na obra de Dostoievsky, Os Irmãos Karamazov, Ivan Karamazov afirma :«Se Deus não existir tudo é permissível». Podemos dizer que Ivan é um defensor da teoria dos mandamentos divinos? Porquê?
 
2– Há quem afirme que apesar da sua omnipotência, Deus não pode fazer com que um quadrado tenha três lados nem que dois mais dois sejam igual a quatro. Porquê? porque são verdades evidentes por si mesmas. Mas um princípio como este É errado matar pessoas inocentes para nos divertirmos não é evidente por si mesmo? Por que razão este argumento constitui uma objecção à teoria dos mandamentos divinos?
 
3– Segundo a teoria dos mandamentos divinos a única razão porque matar é errado é porque Deus o proibiu. Se Deus não nos tivesse ordenado que não matássemos, matar não seria errado. O mesmo acontece com roubar e mentir.
É a vontade de Deus que faz com que certos actos sejam bons ou maus. Tudo o que Deus ordena é bom e tudo o que Deus proíbe é mau.
Mas se Tudo depende da vontade de Deus e esta é omnipotente podemos concluir que Deus podia ter ordenado que matar, roubar e mentir eram acções correctas. Na verdade, o que o impediria dado que é omnipotente de « mudar as regras do jogo». Como reagiria o defensor da teoria dos mandamentos divinos a este argumento que sugere que as leis de Deus são arbitrárias?
 
4- Dá atenção ao seguinte argumento:
 
Há actos intrinsecamente maus (maus em si mesmos)
Matar pessoas inocentes é um acto intrinsecamente mau.
Logo, o assassínio de inocentes é errado porque Deus o proíbe.
Considera válido este raciocínio? É um argumento com o qual o defensor da teoria dos mandamentos divinos consideraria bom? Justifique as respostas.
 
 
Unidade 3 - Capítulo 2
 
 
1 – Leia atentamente o seguinte texto:
 
«Duas culturas podem partilhar os mesmos princípios morais mas a aplicação desses princípios pode depender das condições específicas de uma dada cultura. A moralidade é culturalmente condicionada mas isso não é suficiente para provar que os princípios morais são todos dependentes de tradições culturais. Cada cultura tem um conceito de assassínio, distinguindo-o de execução, matar na guerra e outros «homicídios justificáveis». A noção de incesto e outras regulações do comportamento sexual, os conceitos de restituição e reciprocidade, de obrigações mútuas entre pais e filhos, estes e outros conceitos são universais. Além disso, embora possa parecer que o conflito entre juízos morais se baseia no conflito entre princípios morais opostos, a diferença pode residir em diferentes crenças factuais. Por exemplo, em muitas culturas tribais é costume matar os próprios pais quando estes já não conseguem assegurar a sua própria subsistência e se encontram em estado de grande debilidade. Esta prática não só é radicalmente diferente da nossa como podemos julgá-la moralmente repugnante. Mas será que estas tribos diferem assim tanto de nós no plano moral? Surpreendentemente a resposta é não porque a diferença está não nos princípios morais mas sim nas crenças factuais. Estes povos matam os seus pais idosos porque acreditam que a condição física do corpo no momento da morte será a condição da pessoa numa vida depois da morte. Dada esta crença é importante apressar a morte a partir do momento em que o corpo começa a mostrar evidentes sinais de decadência de modo a que a vida depois da morte não seja degradante e dolorosa. Se os filhos não fazem isso aos pais não estão a comportar-se como é devido, estão a ser gravemente negligentes. Em outras culturas como as dos esquimós Inuit a dura luta pela sobrevivência num ambiente muito hostil determina prioridades que em abstracto julgaríamos moralmente repugnantes: cuidar e proteger as crianças mais velhas em detrimento dos recém-nascidos. A moral da história é que estas culturas tem basicamente os mesmos princípios morais que nós: 1) honra os teus pais, b)protege as crianças e c) promove o bem-estar global da sociedade. Contudo, a aplicação destes princípios é diferente da nossa porque têm diferentes crenças factuais acerca da morte e porque o ambiente físico em que vivem é radicalmente diferente»
 
a)    Que tese defende o texto.
b)    Que argumento utiliza para defendê-la?
 
2– Em 1964, o antropólogo Collin Turnbull descobriu uma tribo que vivia isolada no norte do Uganda em condições ambientais extremamente duras. A fome era uma ameaça frequente. Turnbull verificou que nesses momentos em que a comida escasseava, os pais guardavam a comida para si e escondiam-nas dos filhos. Verificou também que nessa tribo(Ik) as crianças tinham de desembaraçar-se sozinhas a partir dos 3 anos para obterem alimento. Aprendiam então a roubar comida muitas vezes extraindo-a da boca dos mais idosos e fracos. A honestidade era desprezada como tolice e a mentira inteligente e eficaz era louvada. Segundo Turnbull, a sociedade dos Ik parecia num estado de permanente colapso cultural em virtudes destes princípios morais.
 
Considera que esta descrição constitui uma forte objecção ao que James Rachels defendeu, isto é, que há algumas  normas morais universais como não mentir, não matar e proteger as crianças?
 
 
 
Unidade 3 - Capítulo 3
 
           
Leia atentamente o seguinte texto
 
«De todas as coisas que é possível conceber neste mundo [...], nada existe que sem qualquer restrição possa ser tido por bom, a não ser mesmo uma vontade boa. A inteligência, o dom de apreender as semelhanças entre as coisas, [...] e outros talentos do espírito, independentemente do nome que lhes seja atribuído, ou até mesmo a coragem, a decisão, a perseverança, enquanto qualidades do temperamento, são sem dúvida em muitos aspectos coisas boas e desejáveis; mas estes dons da natureza podem também tornar-se extremamente maus e funestos se a vontade que deles vier a fazer uso [...] não for boa.
O que faz com que a boa vontade (a moralidade) seja aquilo que é, não são as suas obras ou os seus êxitos, não é a sua aptidão para atingir este ou aquele fim que se tenha proposto, mas somente o querer em si mesmo (a intenção pura), quer isso dizer que é em si mesma que ela é boa; e, considerada em si mesma, ela deve ser avaliada como muito superior a tudo o que por seu intermédio pudesse vir a ser alcançado em favor de uma inclinação, ou mesmo, se se quiser, da soma de todas as inclinações e todos os interesses.
Mesmo que, por especial infelicidade do destino ou pela avara dotação de uma natureza madrasta, essa vontade se encontrasse completamente desprovida do poder de realizar os seus desígnios, mesmo que mau grado o seu total empenhamento nada pudesse alcançar; mesmo que nada mais restasse do que apenas a pura intenção (e por intenção não se deve entender o simples desejo, mas a profunda determinação da vontade), ela não deixaria de brilhar, como uma jóia, com todo o fulgor que é o seu, enquanto coisa que contém em si mesma o seu próprio valor».
 
I. Kant, Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Lisboa Editora, Lisboa, 1998, p. 60
 
1 – Que diferença estabelece Kant entre a boa vontade e outras qualidades do ser humano? Pense no caso de uma qualidade como a lealdade. Será que podemos dizer que é incondicionalmente boa?
 
2 – Imagine que é arrastado pela forte corrente de um rio e que não sendo bom nadador corre sério risco de se afogar. Duas pessoas apercebem-se do perigo e correm para te salvar. Uma delas tropeça e desloca um ombro. A outra consegue entrar na água e salva-te. Segundo Kant podemos dizer que só a acção da pessoa bem sucedida teve valor?
 
3 – Imagine uma pessoa cheia de nobres intenções mas que nada procura fazer para as levar à prática. É a esse tipo de pessoas que Kant se refere ao elogiar a boa vontade?  
 
 
Unidade 3 - Capítulo 3
 
 
1 -  Leia o seguinte texto:
 
«Uma acção praticada por dever tem o seu valor moral, não no propósito que com ela se quer atingir, mas na máxima que a determina (…) O valor moral da acção não reside, portanto, no efeito (resultado) que dela se espera. Não pode residir em mais parte alguma senão no princípio da vontade (no motivo), abstraindo dos fins que possam ser realizados por tal vontade».
Kant, Fundamentação da Metafísica dos Costumes, pp 30-31
 
a) Por que razão este texto nos permite concluir que a ética kantiana não é consequencialista?
b) O que distingue uma acção realizada por dever de uma acção em conformidade com o dever?
 
2 - Tavares reparou que uma pessoa que saía da sua pequena loja deixou cair uma nota de 50 €. Apanhou-a e…que fez?
 
Pense em três decisões possíveis de Tavares:
a) Fica com os 50 €.
b) Devolve os 50 € para ficar bem visto e ganhar reputação de honesto.
c) Devolve os 50 € pelo simples facto de que pertencem ao cliente.
Alguma das acções, segundo Kant, é moralmente correcta? Justifique a resposta.
 
3 - Leia o texto seguinte:
 
 «Todos os imperativos ordenam ou hipotética ou categoricamente. Os hipotéticos representam a necessidade prática de uma acção possível (o dever) como meio de alcançar qualquer coisa que se quer ou que é possível que se queira. O imperativo categórico é aquele que nos representa uma acção como objectivamente necessária (como devendo ser feita) por si mesma, sem relação com qualquer outra finalidade. No caso de a acção ser apenas boa como meio para qualquer outra coisa, o imperativo que a ordena é hipotético; se a acção é boa em si (…) então o imperativo é categórico.  
(Kant, Fundamentação da Metafísica dos Costumes)
 
        a)  Distinga imperativos categóricos de imperativos hipotéticos.
     b) Para Kant só as acções ordenadas por um imperativo categórico são       moralmente correctas. Porquê?
 
4 - Alguma das seguintes proposições é um imperativo categórico? Justifique a resposta:
 
a) «Não roubes para não defraudares as expectativas de quem em ti confiou».
b) «Não mintas por melhores que possam ser as consequências desse acto».
c) «Paga os impostos porque podes ter dinheiro a receber».
d) «Não deves conduzir se tiveres bebido demasiado».
 
5 - Para Kant, certo tipo de acções tais como matar, roubar e mentir são absolutamente proibidas. São acções intrinsecamente incorrectas e os deveres que as proíbem devem ser respeitados independentemente das consequências e das circunstâncias. Esses deveres são imperativos categóricos ou hipotéticos? Justifique a resposta.
 
 
Unidade 3 - Capítulo 3
 
 
1– A questão seguinte é de escolha múltipla. Seleccione a alternativa correcta justificando a opção.
 
Segundo Kant uma acção moralmente correcta é aquela em que fazemos o que está certo:
a) pelos motivos errados;
b) por motivos pessoais;
c) por compaixão;
d) imparcial e desinteressadamente
 
 2 – Considere a seguinte máxima: «Sempre que não me sentir preparado para um exame irei usar cábulas ou copiar». Pode esta máxima ser universalizada sem contradição?
 
 3– Nas situações hipotéticas descritas a seguir identifique (justificando as respostas) as que violam e as que não violam a segunda fórmula do imperativo categórico:
a) “Desejas” um telemóvel de última geração para impressionar os “teus” colegas de escola. Não “tens”, contudo, dinheiro para o comprar nem é provável que nos tempos mais próximos o consigas. Numa festa de aniversário alguém esquece por momentos um magnífico telemóvel em cima da mesa. “Apoderas-te” do telemóvel e no dia seguinte “és” um sucesso entre os “teus” colegas.
b) E se em vez de “te” apoderares do telemóvel sem intenção de o devolver unicamente o “utilizasses” durante alguns dias para depois o devolver ao seu dono?
c) A disciplina de física e química está a “causar-te” dificuldades. “Decides “recorrer a um explicador e acertas com ele o custo de cada sessão de explicações pagando cada mês o que é devido.
d) João decide casar com uma mulher que não ama.
e) És forçado a alistar-te nas forças armadas do teu país para o defender de uma invasão estrangeira
f) Descontente com o resultado de um teste, Alberto chega a casa e destrói boa parte dos brinquedos do irmão mais novo.
 
 
Unidade 3 - Capítulo 3
 
 
1 – No capítulo 4 de Utilitarismo, Mill tenta provar que a felicidade é o fim último (embora não o único fim) das acções humanas. Eis o argumento:
«A única coisa que pode provar que um objecto é visível é o facto de as pessoas o verem efectivamente. A única prova de que um som é audível é elas ouvirem-no. (...) Similarmente, entendo que a única coisa que pode mostrar que uma coisa é desejável é o facto de as pessoas efectivamente a desejarem. (…) Não se pode indicar qualquer razão para mostrar que a felicidade geral é desejável a não ser que cada pessoa, na medida em que acredita que ela é alcançável, deseja a sua própria felicidade. Isto, sendo um facto, dá-nos não só toda a prova que o caso admite, mas toda a que é possível exigir, para mostrar que a felicidade é um bem: a felicidade de cada pessoa é um bem para essa pessoa e a felicidade geral é, logo, um bem para o agregado de todas as pessoas.»
 
a) Mill começa por dizer que se as pessoas vêem uma coisa isso prova que ela é visível. Analogamente, se as pessoas desejam uma coisa isso prova que ela é desejável. Consideras bom este argumento? Pensa nos significados da palavra desejável. O facto de desejares um gelado significa necessariamente que esse gelado deve ser desejado?
 
b) Mill conclui que a felicidade geral é desejável porque cada pessoa deseja a sua própria felicidade. Será este raciocínio uma boa prova a favor do Princípio da maior felicidade? Do facto de cada elemento de um grupo desejar a sua própria felicidade conclui-se necessariamente que todos os elementos do grupo desejam a felicidade do grupo?
 
2 – De acordo com Mill, na promoção da felicidade devemos ter sobretudo em conta a qualidade dos prazeres. A melhor vida é aquela em que predominam os prazeres superiores. Leia atentamente o seguinte texto:
 
«Se me perguntarem o que entendo pela diferença de qualidade entre prazeres ou por aquilo que torna um prazer mais valioso do que outro, simplesmente enquanto prazer e sem ser por ser maior em quantidade (isto é, o que torna um prazer intrinsecamente mais valioso do que outro) só há uma resposta possível. Entre dois prazeres, se houver um ao qual todos ou quase todos os que tiveram a experiência de ambos dão uma preferência decidida, independentemente de sentirem qualquer obrigação moral para o preferir, então esse é o prazer mais desejável.» ( Mill, Utilitarismo).
 
a) Que prazer é qualitativamente superior? Jogar às cartas ou pintar? Ouvir Mozart ou Pink Floyd? Ver um filme protagonizado por Chuck Norris ou por Al Pacino? Ler ensaios ou ler romances? Praticar surf ou nadar? Jogar futebol ou ténis? Poderá o texto de Mill ajudar-nos a distinguir qual o prazer qualitativamente melhor?
 
 
Unidade 3 - Capítulo 3
 
1 - Segundo o princípio ético fundamental do utilitarismo:
 
a) estamos proibidos de procurar a nossa felicidade;
b) mais do que pensar no bem-estar dos outros devemos preocupar-nos em         não os prejudicar;
c) uma acção é correcta se produzir bem-estar.
d) uma acção é correcta se produzir mais bem-estar do que qualquer outra acção possível ao agente no momento.
 
2 -  Leia o seguinte texto
«Não é um defeito de qualquer credo (teoria moral), pois isso resulta da natureza complicada dos assuntos humanos, que as regras de conduta não possam ser concebidas de modo a não requerer excepções e que dificilmente qualquer espécie de acção possa ser estabelecida seguramente como ou sempre obrigatória ou sempre condenável. (…) Se a utilidade é a fonte última das obrigações morais, então pode ser invocada para decidir entre elas quando as suas exigências são incompatíveis. Embora a aplicação do padrão possa ser difícil, é melhor tê-lo do que não ter nenhum (…)»
                        Mill, Utilitarismo, 1861,pp 69-72
 
a) Segundo Kant certos deveres são absolutos e por isso as acções que os violam não devem nunca ser realizadas. A partir deste texto pensas que Mill está de acordo? Justifica.
 
b) Neste texto Mill estabelece uma relação entre as regras de conduta (as normas morais comuns) e o princípio de utilidade. Por que razão podemos concluir da leitura do texto que as normas morais comuns são regras subordinadas?
 
3 – Supõe que o Miguel quer comprar um televisor LCD mas não tem dinheiro suficiente. Durante um jantar de aniversário repara que um amigo tem várias centenas de euros na carteira. Mal a oportunidade surge apodera-se da carteira e rouba quase todo o dinheiro que esta contém.
 Segundo o utilitarismo de Mill podemos dizer que Miguel agiu bem? Imagine que o amigo do Miguel é muitíssimo rico e que a sua irritação por perder o dinheiro será menos intensa e menos duradoura do que o prazer do Miguel por ter conseguido comprar o televisor. Além disso, sendo rico é muito provável que rapidamente esqueceria ter sido roubado. Ponderando estes factores, Mill consideraria correcto o acto do Miguel?
 
 
Unidade 3 - Capítulo 3
 
 
1 – A questão seguinte é de escolha múltipla. Seleccione a alternativa correcta e justifique a opção.
 
Para o utilitarismo:
a) a única pessoa cujo bem-estar é relevante é a pessoa do agente.
b) o bem-estar relevante na avaliação da moralidade das acções é o de todas as    pessoas.
 c) ao avaliar os resultados de uma acção, felicidade que conta é a das pessoas por ela afectadas.
 
2 – Muitas de nós aceitam que temos responsabilidades ou obrigações especiais para com certas pessoas. E consideram que a razão de ser de tais obrigações não deriva necessariamente do facto de as acções nelas baseadas produzirem a maior felicidade.
Se alguém perguntasse «Porque salvaste a vida da tua filha em vez de tentar salvar a vida de um estranho?» muitos considerariam natural e satisfatória a resposta «Porque é minha filha» e não a resposta «Porque tornará mais feliz mais pessoas».
Que aspecto do utilitarismo é aqui criticado?
 
3 - Para o utilitarismo o que conta é a quantidade total de felicidade que resulta de um acto e não que tipo de pessoas são beneficiadas. É indiferente saber por quem se distribui a felicidade, para quem ela vai.
Consegue encontrar alguma objecção a esta ideia? Recorra a exemplos para justificar a resposta.
 
 
Unidade 3 - Capítulo 3
 
 
1 – Imaginemos que duas pessoas caem de um barco e estão em risco de se afogar. Não ha tempo para salvar os dois. Levamos tanto tempo a decidir, ponderando imparcialmente quem socorrer que a certa altura é tarde demais. Na perspectiva utilitarista agimos bem?
 
2 - Na obra de ficção Génese e Catástrofe um médico salva a vida de mãe e filho num parto muito difícil. Depois de tudo resolvido as palavras do médico são: «Agora está tudo bem, senhora Hitler». Pode esta história ser considerada uma crítica justificada do utilitarismo?  
 
3 – Pense no caso com que iniciámos este capítulo sobre a fundamentação da moral. Qual seria a decisão correcta seguindo um critério utilitarista? E segundo um critério deontologista? Entregar o homem que os terroristas odeiam ou não ceder à vontade dos terroristas condenando a uma morte quase certa dezenas de inocentes?
 
4 – Alberto sabe que Vicente é infiel à mulher. Mulherengo aparentemente incorrigível, Vicente gaba-se junto dos amigos das suas várias incursões extramatrimoniais. Esta ausência de escrúpulos morais é para Alberto extremamente indecente. A mulher de Vicente é uma amiga de longa data que Alberto julga estar a ser humilhada sem disso se aperceber. Debate-se então com um problema: se conta a verdade à amiga poderá causar-lhe um enorme desgosto; se decide não intervir torna-se conivente com as mentiras de Vicente. Alberto acaba por revelar a verdade. Julga ser esse o seu dever, considerando que dizer a verdade é mais importante do que causar um desgosto.
Qual pensa que seria a avaliação moral do acto de Alberto por parte de Mill e de Kant? Justifique.
 
5 - De um milionário prestes a morrer recebo um cheque de 500 mil dólares. Comprometo-me a cumprir a sua última vontade: entregar essa quantia ao presidente do seu clube de futebol preferido. Contudo, a caminho do estádio, uma campanha contra a fome no mundo chama a minha atenção. Surge um conflito moral: devo ser fiel à minha promessa ao moribundo ou contribuir para salvar milhares de pessoas famintas?
 
a)    Imagine que é adepto da ética kantiana. Que resposta daria a este problema? Justifica a resposta.
b)    Imagine que é utilitarista. Daria a mesma resposta a este problema? Justifique a resposta.
 
6 - José, um cientista botânico de visita à América do Sul, chega a uma aldeia onde Pedro, um militar se prepara para ordenar a execução de vinte índios. A população da aldeia tem protestado frequentemente contra a política do governo. Para aterrorizar a população da aldeia Pedro recebeu ordens para escolher vinte pessoas e fuzilá-las. Trata-se de pessoas inocentes. José sente revolta perante a situação e dá sinais do seu descontentamento. Apercebendo-se disso, Pedro decide dar-lhe a possibilidade de intervir. Propõe-lhe que se matar um dos vinte índios, salvará a vida dos outros dezanove. Se recusar esta proposta as vinte pessoas inocentes morrerão.
       Imaginemos que João, com muito desconforto, aceita a proposta.
 
a) Qual seria a avaliação que um kantiano faria desta acção? Pense na segunda fórmula do imperativo categórico para tentar responder.
Está de acordo com a avaliação kantiana deste acto? Justifique.
 
 
Unidade 3 - Capítulo 4
 
1 – Uma teoria normativa diz-nos como devemos agir e não se interroga sobre as motivações dos nossos actos. O egoísmo psicológico é uma teoria normativa ou descritiva? Justifique a resposta.
 
2 – O argumento mais comum utilizado pelos defensores do egoísmo psicológico é o seguinte:
 
Todas as nossas acções procuram sempre alcançar um objectivo que desejamos.
Sempre que atingimos um objectivo desejado obtemos satisfação pessoal.
Assim, todas as nossas acções têm sempre como objectivo fundamental a nossa satisfação pessoal.
Obter satisfação pessoal serve o nosso próprio interesse.
Por conseguinte, todas as nossas acções procuram sempre servir o nosso próprio interesse (todas as nossas acções são sempre egoístas).
 
Aceita este argumento?
 
Par ajudar a avaliá-lo pense nas seguintes questões:
O facto de uma pessoa desejar algo implica necessariamente que o objecto do seu desejo é a sua satisfação pessoal? Agir segundo os meus desejos é ser necessariamente egoísta? Se sentes sede e desejas um refresco o teu prazer físico de extinguir a sede é o objecto do teu desejo. Mas poderá dizer-se o mesmo quando procuras comprar uma Play Station para um teu amigo? O que desejas neste caso? Qual foi o motivo fundamental da tua acção? A tua satisfação pessoal ou satisfazer o teu amigo? Em que pensaste primeiro? Na tua satisfação pessoal ou no bem-estar e prazer do teu amigo?
 
3 – Leia atentamente o seguinte texto:
 
 «Descobrirás à medida que fores envelhecendo que a primeira coisa necessária para tornar tolerável a vida humana neste mundo é o reconhecimento do inevitável egoísmo dos seres humanos. Exiges aos outros que não sejam egoístas. Trata-se de uma exigência desmedida e irrealista. Não peças aos outros que sacrifiquem os seus desejos aos teus. Porque haviam de fazê-lo? Quando te reconciliares com o facto de que cada um de nós está entregue a si próprio nesta vida exigirás menos aos teus semelhantes e terás menos desilusões. Cada ser humano só procura uma coisa: a sua própria satisfação e prazer.
Os seres humanos agem em função do seu bem-estar. Quando essas acções são também boas para os outros são ditas virtuosas: sentem prazer em dar esmola e recebem o nome de caridosos; sentem prazer em ajudar os outros e chamam-nos benevolentes; sentem prazer colaborando em acções sociais e são considerados solidários. Mas é para sua satisfação pessoal que dão alguns cêntimos a um pedinte tal como é para sua satisfação bebem mais um copo de whisky com soda.»
Somerset Maugham, Da servidão humana (discurso do personagem Cronshaw)
 
1 - Por que razão podemos dizer que Cronshaw defende o egoísmo psicológico?
2 - Concorda com a perspectiva de Cronshaw? Porquê
3 – Será que o facto de sentirmos prazer em fazer bem aos outros faz de nós egoístas?
 
 
Unidade 3 - Capítulo 4
 
 
1 – O que distingue o egoísmo ético do egoísmo psicológico?
 
2 – É correcto dizer que o egoísta ético se baseia no princípio seguinte: «Todas as pessoas devem agir em função dos meus interesses»? Justifique a resposta.
 
3 - Relembre o caso de Kitty Genovese. Que avaliação moral pensa que um egoísta ético faria do comportamento dos vizinhos que assistiram ao seu assassínio? Justifique.
 
4 – É correcto afirmar que o egoísta ético nunca pensa genuinamente em ajudar os outros ou em evitar prejudicá-los? Justifique a resposta.
 
5 – Durante a Segunda Guerra Mundial, os Aliados conseguiram descodificar o código nazi e o British War Office ficou a saber entre outras coisas que os nazis sabiam a verdadeira lealdade de duas espias que trabalhavam para os Aliados. O BWO sabia que se as espias regressassem em nova missão à Europa nazi seriam muito provavelmente capturadas, torturadas e mortas. Contudo, se não voltassem, os nazis deduziriam que o seu código teria sido descoberto e alterá-lo-iam. Os Aliados perderiam a maior fonte de informação acerca dos planos de guerra nazis pelo menos durante mais dois anos. O BWO e os Aliados decidiram enviar as espias de volta para nova missão na Europa nazi perfeitamente conscientes de que os nazis conheciam a sua identidade, ou seja, que elas faziam contra – espionagem. Nunca mais tiveram notícias das duas mulheres.
O interesse do British War Office era manter o código intacto. O interesse das espias era o de preservarem as suas vidas. Que interesses deviam prevalecer?
Será que o egoísta ético tem resposta para este conflito de interesses? Porquê?
Como responderia o utilitarista a este problema? E um partidário da ética kantiana? Qual seria a melhor resposta dadas as circunstâncias? Justifique
 
6 – Imagine que durante um passeio no parque encontra uma criança que fracturou um pulso. Repara que mais ninguém pode ajudá-la. Tem um telemóvel que pode servir para telefonar ao 112 para pedir ajuda. Não conhece a criança de lado nenhum e além disso está atrasado para um exame de Matemática muito importante. Agiria erradamente se nada fizesse para a ajudar e seguisse o seu caminho para a escola sem mesmo chamar o 112?
 
7 – Como pensa que o egoísta ético avaliaria as seguintes acções?
 
a) Recuso copiar durante um exame mesmo que o possa fazer sem ser descoberto.
b) Um empresário aceita diminuir os seus lucros aumentando o ordenado dos seus empregados mais produtivos.
c) Alguém salva a vida da pessoa que ama arriscando a sua.
 
 
Unidade 3 - Capítulo 5
 
 
1 – O que pretendem os cidadãos do Estado? Segurança? Liberdade? Igualdade?
Será utópico conciliar estas três exigências? Julga que o Estado satisfaz realmente alguma destas exigências?
 
2– Qual é para si o valor mais importante: a liberdade civil (de expressão, de associação) ou a segurança e a ordem?
 
3 – Qual é para Hobbes a finalidade máxima e principal do Estado?
 
4 – Sendo, para Hobbes, uma alienação de direitos, o contrato social conduz a um Estado de cidadãos, dotados de capacidade reivindicativa perante o poder?
 
 
Unidade 3 - Capítulo 5
 
 
1 – Imagine que tem 10.000 euros para distribuir por várias pessoas em cada uma das seguintes situações:
a) És proprietário de uma empresa e os 10.000 euros são a recompensa extra que vais atribuir a cinco dos melhores trabalhadores durante o ano de 2005-2006.
b) Um organismo de apoio aos mais necessitados encarregou-te de distribuir 10.000 euros por pessoas carenciadas.
Em cada um dos casos como vais distribuir o dinheiro? Supõe que em ambos os casos decides aplicar o princípio «A cada qual uma parte igual». Consideras que distribuíste o dinheiro de forma justa? Justifica a tua resposta.
 
2 - Devido aos extraordinários desenvolvimentos tecnológicos e científicos, o transplante de órgãos tornou-se uma prática muito comum. Contudo, a procura suplanta em muitos casos a oferta. Supõe que duas pessoas precisam de um transplante de coração e só há um órgão disponível. Uma delas é um reputado cirurgião de 40 anos cuja recuperação e sobrevivência promete ser muito benéfica para muitos doentes. A outra tem 65 anos e o seu organismo pagou os frequentes excessos infligidos ao longo de uma vida pouco regrada. A sua sobrevivência não promete vir a beneficiar ninguém excepto ele próprio.
Como resolverias a situação? Darias a cada pessoa um tratamento igual ou um tratamento desigual? Que critério de justiça utilizarias?
 
3 - «É preferível que algumas pessoas sejam infelizes a que nenhuma seja feliz como seria o caso de uma sociedade radicalmente igualitária».
Considera aceitável esta crítica ao igualitarismo estrito?
 
 
Unidade 3 - Capítulo 5
 
1 – Imagine que, à semelhança de Espanha, Portugal já possui centrais nucleares desde a década de oitenta do século XX. Dois reactores nucleares já foram desactivados e coloca - se o problema de onde localizar o depósito de resíduos a retirar dos reactores. As centrais nucleares asseguram boa parte da energia eléctrica que o país consome mas também produzem assinalável quantidade de resíduos radioactivos prejudiciais para o ambiente e as pessoas. Uma determinada zona do país é escolhida para localização do aterro sanitário onde serão tratadas milhares de toneladas de material radioactivo. Apesar de prometer que o armazenamento dos resíduos será feito no subsolo e de ter tentado ultrapassar as reservas da população com oferta de empregos e de incentivos, o governo não conseguiu evitar uma vaga de protestos e de tumultos. Mas não recua na sua decisão.
Do ponto de vista utilitarista podemos considerar justa esta decisão? Justifique.  
 
 
Unidade 3 - Capítulo 5
 
 
1  - «Segundo Rawls, todos temos direito a uma igual parte dos bens sociais. A justa distribuição da riqueza equivale a igual distribuição».
Esta afirmação é correcta? Justifique.
 
2 – Imagine que os participantes na posição original estavam divididos em dois grupos. Um dos grupos era constituído por pessoas ricas e o outro por pessoas pobres. Que decisão tomariam acerca da forma justa de distribuir os recursos da sociedade? É muito provável que o primeiro grupo defendesse o direito de propriedade, propondo um sistema que protegesse os seus bens. É esta uma forma justa de resolver o problema? Não, porque os membros desse grupo estão simplesmente a defender princípios de justiça que somente salvaguardam os seus interesses. Tudo nos leva a pensar que o segundo grupo também decidiria com base no seu interesse. Como conseguir que as pessoas escolham imparcialmente princípios de justiça uma vez que pensam sobretudo nos seus interesses? Qual a solução que Ralws apresenta?
 
3 – Imaginemos que enquanto membro participante na hipotética situação a que Rawls dá o nome de «posição original», poderia escolher um tipo de sociedade em que médicos, futebolistas, engenheiros, políticos e magistrados ganhariam quase o mesmo que os empregados de escritório. Seria a favor de um tal tipo de sociedade? Seria essa opção benéfica ou teria efeitos indesejáveis para a sociedade no seu todo? Justifique a resposta.
 
4 – Imagine que governa um país e que vai decidir qual a forma correcta de cobrar impostos aos cidadãos. Pensa no que será uma tributação justa e tem várias opções.
a ) Todos devem pagar o mesmo( 10% dos rendimentos anuais).
b) A taxa a cobrar depende dos serviços prestados pelo governo aos cidadãos( deve pagar mais quem mais encargos custa ao Estado).
c) A taxa a cobrar deve reflectir a capacidade económica dos cidadãos( os ricos devem pagar muito mais do que os pobres)
d) Ninguém deve pagar impostos.
e) Só as pessoas muito ricas devem pagar impostos.
Que opção escolheria para a sua política fiscal. Justifique a resposta mostrando também porque rejeitou as outras opções.
 
5 – Imaginemos que tem a possibilidade de definir como seriam salários justos no seu país. Várias respostas podem ser dadas ao problema:
a) Trabalho igual merece salário igual ( os que fazem o mesmo trabalho devem receber o mesmo salário)
b) Os mais necessitados devem receber mais
c) Os que produzem mais e melhor devem receber salário mais elevado
d) Os que se esforçam mais devem receber mais
e) Os trabalhos mais desgastantes e perigosos devem ser mais bem remunerados
Que resposta ou respostas defenderia? Justifique.
 
 
Unidade 3 - Capítulo 5
 
1 – João discorda de programas de apoio aos mais desfavorecidos. Diz que o Estado está a transferir injustamente dinheiro para os mais necessitados. Trabalha arduamente para ter um bom salário, bem acima da média e não sente o dever de ajudar os outros. Defende que tem o direito a fazer do seu dinheiro o que bem entende e não se sente responsável pela situação desfavorável em que outros se encontram. Considera que só ele deve beneficiar do produto do seu trabalho. Está de acordo. Porquê? Talvez seja uma boa ideia conversar sobre este assunto com os pais.
 
2 – Como avaliaria Nozick a situação do casal referido no início desta secção dedicada à justiça?
 
3 – Maria é uma excelente estudante mas a sua família não tem dinheiro para suportar a despesa que um curso de medicina implica. Será que algum dos seus direitos é violado se, sendo demasiado pobre, não puder continuar a estudar. E os direitos de propriedade dos mais ricos serão violados se forem tributados para ajudar a pagar os estudos de Maria? Justifique a resposta.
 
4 – Os artigos 23, 25 e 26 da Declaração Universal dos Direitos Humanos referem - se  a direitos que o filósofo Henry Shue denominou direitos de subsistência, porque estão ligados a condições que tornam possível um padrão de vida adequado. Nozick considera que o direito de propriedade é absoluto. Será esta afirmação compatível com a referida existência de direitos de subsistência? Que direitos são mais fundamentais, os de propriedade ou os de subsistência? Leia os artigos mencionados e justifique as respostas.
  
 
5 - «Os impostos sobre os rendimentos do trabalho (a tributação) são semelhantes ao trabalho forçado. Algumas pessoas julgam obviamente verdadeira esta afirmação. Tirar o rendimento de x horas de trabalho é como tirar x horas a essa pessoa e forçá-la a trabalhar x horas ao serviço dos interesses de outras pessoas». (Robert Nozick, Anarchy, state and utopia, New York, Basic Books, 1974, pag. 169.
 Está de acordo? Justifique.
 
 
Unidade 3 - Capítulo 5
 
1 - Mill afirma que a supressão da liberdade de expressão prejudica a sociedade. Em que baseia esta sua afirmação?
 
2 - Encontra alguma razão (ou razões) para defender que uma sociedade deve deixar que ideias falsas sejam publicamente expostas?
 
3 -  Mill rejeita o “paternalismo legalista” a ideia de que a lei nos deve proteger de nós próprios para nosso bem. Para ele, a sociedade não tem legitimidade para punir os indivíduos em nome do próprio bem destes. Só o pode fazer quando prejudicam outras pessoas.
Conhece medidas legais como o uso obrigatório do cinto de segurança e a proibição do consumo de certas drogas. Essas medidas são exemplos de "paternalismo legal"?
 
4 – Mill distingue entre dano e ofensa. Os críticos desta distinção afirmam que é difícil separar as duas coisas. Suponha-se que uma mulher trabalha numa empresa em que os trabalhadores são maioritariamente do sexo masculino e costumam encher as paredes com posters de mulheres nuas. A empregada sente-se incomodada porque considera tais posters ofensivos. Como resultado disso detesta o seu local de trabalho e pensa seriamente em despedir-se.
Podemos dizer que está a ser prejudicada pelo comportamento dos colegas?A que se deve dar mais valor, ao prazer que a contemplação dos posters desperta nos homens ou ao desconforto que causam na sua colega?
 
5 - Quais das seguintes actividades deviam ver garantida a liberdade de expressão?
Justifique as respostas e consideea qual seria a posição de Mill
 
a) Oração nas escolas públicas.
b) Expressar em público a opinião de que um determinado e impopular presidente devia ser assassinado.
c) Queimar a bandeira nacional em sinal de protesto.
d) Defender a demissão do governo.
e) Expressar em público o ódio a determinado grupo racial.
f) Por brincadeira, gritar "fogo" numa sala de cinema.
g) Distribuir pornografia a adultos.
h) Publicar mentiras sensacionalistas acerca de uma estrela de cinema.
i) Dizer em público que todas as religiões são uma fraude.
j) Recusar-se a votar
l) Recusar o ensino obrigatório para os filhos.
 
6 - Considere a seguinte lista de acções assumindo que todas são realizadas por adultos capazes de por elas responderem. Inclui cada acção numa destas três categorias e defenda a sua opção perante quem discordar de si.
 
- Esta acção é uma questão de escolha pessoal e a sociedade não deve ter o direito de interferir.
- Esta acção afecta os interesses da sociedade e deve ser legalmente controlada (abstrai-te do facto de essa acção ser proibida por lei ou não).
 - Esta acção não deve ser considerada ilegal, mas a pessoa que a realiza deve ser criticada e persuadida a abandoná-la
 
a) Apesar de numerosas reportagens sobre traumatismos cranianos devido a acidentes.. com motas, Guilherme recusa usar o capacete de segurança quando condui-a sua mota.
b) Júlia toma alucinógenos quando está em sua casa, mas nunca os toma em qualquer outro lugar a não ser em casa
c) Juca conduz frequentemente sob o efeito do álcool, dizendo que nessas condições é melhor condutor do que muitos automobilistas sóbrios.
d) Helga sofre de uma doença terminal e pretende obter os serviços de um médico que a ajude a pôr termo à vida.
e) J. B. e J. P. são um casal de namorados do mesmo sexo.
f) Carla ajuda pessoas que sofrem de desordens sexuais tendo sexo terapêutico com elas a troco de dinheiro.
g) Henriqueta é uma mulher solteira que gasta quase todo o ordenado no casino e muitas vezes fica sem dinheiro para comprar os remédios de que necessita.
h) Alberto é um pai solteiro com o vício do jogo, que, por tanto dinheiro gastar, muitas vezes não tem dinheiro para comprar remédios e comida para os filhos.
i) Quaresma é casado com cinco mulheres que vivem todas com ele e são completamente a favor do seu casamento polígamo.
 
 
Unidade 3 - Capítulo 5
 
 
1 – a) É moralmente justificável que algumas vezes desobedeçamos às leis?Porquê?
b) Se é moralmente justificável a desobediência, em que condições é legítimo termos liberdade para o fazer?
c) Tens conhecimento de situações históricas em que pessoas desobedeceram por razões morais às leis do Estado. Em que casos pensas que a desobediência foi justificada?
 
2 - Imaginemos que vivemos num país cujo Estado promulga as seguintes leis:
a) Qualquer pessoa que provoque um incêndio florestal será condenada a 6 meses de prisão e a 600 contos de multa.
b) Qualquer pessoa seropositiva será confinada a um centro sanitário de alta segurança, para evitar o contágio e a propagação da doença.
c) Qualquer pessoa que tenha opiniões contrárias ao regime político vigente será condenada à morte.
d) Nenhum trabalhador estrangeiro tem o direito de trazer ou chamar a sua família para o país de acolhimento.
 
Que leis parecem justas? Quais justificariam desobediência civil?
 
3  - Considere os seguintes casos e mostre se são formas legítimas de protesto:
a) Num país em que o aborto é legal, uma pessoa decide impedir a entrada de  clientes numa clínica onde aquele é praticado.
b) Nesse mesmo país e também para protestar contra a lei que permite o aborto, um indivíduo coloca uma bomba na referida clínica.
c) Defensores do ambiente despejam detritos de um rio poluído no pátio de uma empresa que consideram uma das maiores responsáveis pela poluição.
d) Um cidadão pacifista de nacionalidade britânica decide não pagar os seus impostos enquanto parte destes continuarem a ser destinados a despesas militares. Comunica tal decisão à Fazenda Pública inglesa.
É sancionado pela Justiça com um mês de prisão. Profundamente convicto da sua razão e dos seus princípios, actua do mesmo modo ano após ano. O juiz também não abdica da sua posição e todos os anos pune-o com um mês de prisão.
 
4 – Os adversários da desobediência civil sustentam que é sempre errado violar a lei. Os defensores da desobediência civil afirmam que por vezes é correcto infringir a lei. Os primeiros afirmam que se em sociedades profundamente injustas a desobediência civil se justifica, em sociedades democráticas esta não tem cabimento. Apresentam vários argumentos contra a desobediência civil. Tenta verificar se são racionalmente persuasivos.
a) Uma das funções do Estado é a manutenção da lei e da ordem de modo a que os cidadãos gozem de paz, segurança e bem-estar. Beneficiamos dos seus serviços  e da sua protecção. Mesmo que julguem ter uma justa causa as pessoas que violam as leis estão a perturbar a estabilidade social. É para o bem da sociedade que existem leis e quem as lhes desobedece publicamente está a estimular a sua infracção. Violar a lei seja por que razão for promove o desrespeito pela lei e pelo governo e, em última análise promove a anarquia, o caos social, pondo em perigo o Estado de direito. A desobediência civil é um remédio pior do que o mal que visa atacar.
b) Nos estados democráticos e de direito, o governo exerce as suas funções segundo a vontade da maioria do povo representada pelos deputados eleitos. O governo é portanto uma criação da vontade da maioria. Como é evidente os resultados das eleições não nos agradam sempre e algumas leis também não. Contudo, temos a obrigação política de respeitar a vontade da maioria. Os partidários da desobediência civil tentam obter através da violação de certas leis o que não conseguiram mediante processos democráticos. A desobediência civil é a negação da democracia.
c)A democracia põe ao dispor dos cidadãos meios menos drásticas e desestabilizadores do que a desobediência civil para corrigir injustiças e abusos de poder. As pessoas podem fazer ouvir a sua voz, realizar manifestações, fazer greves, etc. Além disso há eleições frequentes que podem depor governos que abusaram do poder e promulgaram algumas leis injustas. Numa sociedade livre a desobediência civil é um mal desnecessário.
 
 
Unidade 4 - Capítulo 1
 
 
1 – Leia atentamente o texto seguinte:
 
«Estou em contradição convosco quando, no seguimento das vossas deduções, dizeis que o homem não poderia de modo nenhum passar sem a consolação que a ilusão religiosa lhe dá, que, sem ela, não suportaria o peso da vida, a realidade cruel. Isso é verdade se estivermos a falar do homem a quem desde a infância se deu esse doce — ou doce e amargo — veneno. Mas e do outro que foi educado de forma sóbria? Possivelmente aquele que não sofre de nenhuma neurose não necessita de nenhum narcótico para entorpecer esta. Sem dúvida, o homem encontrar-se-á então numa difícil situação: terá a dura consciência da sua pequenez no seio do universo, do seu desamparo, não será mais o centro da criação, o objecto dos ternos cuidados de uma Providência benévola. A sua situação será semelhante à da criança que abandonou a casa paterna, onde se sentia bem e confortável. Mas não é necessariamente verdade que o estádio do infantilismo está destinado a ser ultrapassado? O homem não pode permanecer eternamente uma criança, tem de aventurar-se no universo hostil. Podemos designar isso por “educação em vista da realidade”; terei necessidade de vos dizer que o meu único desígnio, ao escrever este estudo, é o de chamar a atenção para a indispensável realização deste progresso?»
 
Freud, O Futuro de Uma Ilusão
 
a) Qual a tese do texto?
b) A que problema responde?
c) Como defende o autor a sua tese? Considera bons os argumentos utilizados? Porquê?
 
 
Unidade 4 - Capítulo 2
 
 
1 - Resuma o argumento de Santo Anselmo.
2 – Indique qual é a premissa decisiva do argumento e justifique.
3 – Será que existir na realidade e não só no pensamento torna algo melhor do que existir só no pensamento?
4 - Para Santo Anselmo quem nega que Deus existe só pode concluir que está enganado. Por que razão o ateísmo é uma contradição nos termos?
 
 
Unidade 4 - Capítulo 2
 
 
1– Vários críticos do argumento de São Tomás que no melhor dos casos o argumento prova que há uma causa primeira de tudo mas não se deduz das premissas que essa causa seja Deus. (Nota que Deus é definido como ser omnipotente, omnisciente, absolutamente bom e eterno)
Está de acordo? Porquê?
 
2 - Uma das críticas dirigidas ao argumento de São Tomás consiste em dizer que é autocontraditório. Com efeito, dizem, a sua base é a afirmação de que todas as coisas foram causadas por alguma outra, mas conclui dizendo que tem de existir algo que não foi causado por nada.
Esta crítica é boa? Justifica a resposta.
 
 
Unidade 4 - Capítulo 3
 
 
1- O que caracteriza a forma de vida estética? É uma vida sem finalidade alguma? É uma vida sem valor?
2- O que distingue a vida estética da vida ética? O que têm em comum?
 
 
 
Unidade 4 - Capítulo 3
 
1- A posição naturalista sobre o sentido da vida nega que esse sentido se deva à existência de Deus. Que argumento é apresentado para defender esta tese? Está de acordo?
 
2- Por que razão, para a perspectiva naturalista, o sentido da vida não se pode reduzir a uma questão pessoal?
 
3 – Leia o seguinte poema:
     Ele morrerá e eu morrerei
     Ele deixará a tabuleta e eu os versos
     A certa altura morrerá atabuleta e os versos também
     Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
     E a língua em que foram escritos os versos.
     Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
                     Álvaro de Campos, «A Tabacaria», 1928
 
  Tudo acaba por perecer. Será que por isso a vida não tem sentido? Que resposta dão a este problema as duas perspectivas estudadas? Está de acordo com alguma delas? Caso não esteja, qual é a sua resposta. Defenda a sua eventual posição de forma racional e argumentada.
 
 
Unidade 5 - Capítulo 1
 
1 - Se gosta de ouvir uma canção ou uma melodia porque lhe recorda os tempos da infância ou uma relação amorosa, está a ter uma experiência estética?
2 - Uma comida apetitosa e um banho reconfortante são experiências agradáveis. Serão por isso experiências estéticas?
3 - Imaginemos um importante palácio construído unicamente com materiais preciosos e à custa de imenso trabalho de escravos.
 
a) Se disser que o palácio é magnífico pelo conforto que oferece aos seus habitantes e pela sua boa exposição ao Sol, estarei a formular um juízo estético?
 
b) Se disser que o palácio é uma inadmissível ostentação de luxo num meio em que reina a miséria e que com o dinheiro que se gastou se construiriam muitas habitações para os pobres, estarei a descrever uma experiência estética?
 
 
Unidade 5 - Capítulo 1
 
1 – Assinale com verdadeiro as afirmações correctas:
a) Para o subjectivismo estético a beleza do objecto depende do que sentimos ao observá-lo.
b) Para o subjectivismo estético, há critérios objectivos que permitem justificar a verdade dos juízos estéticos.
c) Segundo o objectivismo, o que sentimos quando observamos um objecto não importa quando se trata do seu valor estético.
 
 
Unidade 5 - Capítulo 2
 
1 – Leia o seguinte texto e responda às questões:
 
«Ninguém espera da música ou da arquitectura que reproduzam a realidade sonora nem o mundo das formas que podemos ver na natureza. São linguagens, artes da combinação e da composição de signos e de formas. Pode acontecer que a música reproduza instrumentalmente o som de um fenómeno real, como uma tempestade ou o ruído de uma batalha. Assim “O amor”, “O vento na planície” são o tema de composições de Claude Debussy. Mas não reproduzem esses fenómenos exactamente: transfiguram-nos, evocam-nos, não os imitam. Uma tempestade numa ópera não é uma tempestade, é música.
 
Por que razão o que é evidente numa arte como a música deixaria de o ser em pintura? Porque não chamamos ao pintor um “compositor” tal como o fazemos com o músico? Estará o pintor vocacionado para copiar o mais exactamente possível o que é dado ao seu olhar? A sucessão de notas musicais não é uma sucessão de ruídos naturais. Por que razão pensar que o que vemos sobre a tela deve ser o que vemos no mundo?»
Hervé Boillot, 50 modèles de dissertations philosophiques, Marabout, p. 140
 
1 – Identifique o tema do texto.
2 – Qual a tese defendida?
3 – Como a defende o autor?
 
 
Unidade 5 - Capítulo 2
 
1 – Será que a nossa interpretação da obra de arte coincide necessariamente com a intenção do artista que a produziu?
Será idêntico dizer «Esta música exprime tristeza» e «O compositor exprimiu os seus próprios sentimentos de tristeza ao escrever esta música»?
 
2 – O poema seguinte de Fernando Pessoa assume implicitamente uma posição acerca do que é a arte. Está de acordo com Tolstoi?
 
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente
 
 
Unidade 5 - Capítulo 2
 
1 – A arte influencia a forma como sentimos e vemos a realidade. Está de acordo? Caso esteja, consegue dar exemplos desse poder da arte?
 
2 – Muitas pessoas pensam que a arte nos permite compreender e aperfeiçoar o nosso conhecimento - o nosso entendimento – do que é a vida, a realidade. Pense numa dada época histórica e num acontecimento significativo (A segunda guerra mundial). Será que só temos conhecimento e compreensão dele através de manuscritos, depoimentos e entrevistas? Como podem as obras de arte ajudar-nos a conhecer melhor esse acontecimento?
 
 
Unidade 5 - Capítulo 3
 
1 – Leia o texto seguinte:
 
«Não há livros morais nem imorais. Os livros são bem ou mal escritos. Nada mais […] A vida moral do Homem faz parte do assunto do artista, mas a moralidade da arte consiste no uso perfeito de um meio imperfeito.
Nenhum artista tem simpatias éticas. Uma simpatia ética num artista é um imperdoável maneirismo de estilo […] o vício e a virtude são para o artista materiais de arte. Pode-se perdoar a um homem fazer uma coisa útil, enquanto ele a não admira. A única desculpa que merece quem faz uma coisa inútil é admirá-la intensamente.
Toda a arte é absolutamente inútil.»
 
Oscar Wilde, prólogo de O Retrato de Dorian Gray
 
a) Que tese acerca da função da arte defende o texto? Considera bom o argumento apresentado? Está de acordo com o autor? Porquê?
b) Para reforçar a sua posição, Wilde chegou a afirmar que toda a arte é imoral. Está de acordo? Porquê?
 
 
Unidade 5 - Capítulo 4
 
1 - Procure elaborar uma reflexão sobre a relação entre arte, sociedade e história orientando-se pelas seguintes questões:
Porque será a arte susceptível de impressionar indivíduos que não pertençam à mesma sociedade, que não participem da mesma ideologia, que não professem a mesma religião ou até religião nenhuma, que não tenham as mesmas preocupações morais, que não sigam a mesma política? E porque não bastam às sociedades, às ideologias, às religiões, às éticas e às políticas, simplesmente a prática e o proselitismo sociais, ideológicos, religiosos, morais e políticos? Que vem a arte acrescentar-lhes? A que necessidade responde?
 
 
Unidade Final - Capítulo 1
 
1 – Leia atentamente o seguinte texto:
 
Os animais não têm consciência de si e existem apenas como meio para um fim. Esse fim é o homem. Podemos perguntar «Por que razão existem os animais?». Mas perguntar «Por que razão existe o homem?» é fazer uma pergunta sem sentido. Os nossos deveres em relação aos animais são apenas deveres indirectos em relação à humanidade […].
 
Se um homem abater o seu cão por este já não ser capaz de o servir, ele não infringe o seu dever em relação ao cão, pois o cão não pode julgar, mas o seu acto é desumano e fere em si essa humanidade que ele deve ter em relação aos seres humanos. Para não asfixiar os seus sentimentos humanos, tem de praticar a generosidade para com os animais, pois aquele que é cruel para os animais depressa se torna duro também na maneira como lida com os homens.
 
Immanuel Kant, Lições de Ética, pp. 239-240
 
 
1. Qual a tese do autor?
2. Em que se baseia Kant para negar que tenhamos obrigações directas a respeito dos animais?
 
 
 
Nesta página podemos encontrar um conjunto de actividades relativas a cada unidade.
Tal como acontece ao longo deste site apenas algumas actividades de cada unidade foram seleccionadas e apresentadas.