KANT
Filósofo alemão nascido em Konigsberg, Kant é um dos filósofos mais influentes de sempre. Aos 16 anos ingressou na universidade da sua cidade natal e, concluídos os estudos, trabalhou como preceptor de várias famílias aristocráticas. Em 1755 tornou-se professor sem salário fixo da sua universidade até que em 1770 foi nomeado professor de lógica e de metafísica, cargo que manteve até à sua morte. A partir dos 54 anos começou a escrever as obras que contribuíram para a sua extraordinária reputação. Destacam-se a Crítica da Razão Pura (1781), Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785), Crítica da Razão Prática (1788), Crítica da Faculdade de Julgar (1790) e A Religião nos Limites da Simples Razão (1793). A sua ética revela alguns traços da educação pietista recebida. O pietismo era um movimento religioso que valorizava a interioridade - o sentimento religioso e não os rituais e práticas estabelecidos – negando a necessidade de submissão a organizações eclesiásticas. Outra influência significativa é o racionalismo iluminista, a valorização da razão e a rejeição de uma autoridade exterior a esta. Defendeu a liberdade de pensamento e de expressão contra as arbitrariedades do despotismo. A sua moral lança também as bases de uma ética da pessoa – nenhum homem é instrumento ou objecto – cujos princípios influenciaram as Declarações dos Direitos Humanos de 1789 e de 1948. Respeito e dignidade pela pessoa humana são expressões que se tornaram familiares e que Kant explicitou pela primeira vez. O projecto kantiano de uma paz perpétua, de uma Sociedade das Nações para gerir a competição entre nações influenciou a criação a seguir à primeira guerra mundial de uma organização com o mesmo nome, a antepassada da ONU, criada após o cataclismo da segunda guerra mundial.
John Stuart-Mill
Filósofo inglês foi uma criança extraordinariamente precoce que, educada nos primeiros anos de vida pelo pai, já estudava grego aos 3 anos, latim aos 6 e lógica, filosofia, economia,,matemática e química por volta dos 8 anos. É o principal representante do empirismo inglês do século XIX. A sua principal obra de ética intitula-se Utilitarismo e foi publicada em 1861. Nela defende uma ética de tipo consequencialista e hedonista que considera que o critério último da moralidade de uma acção é a sua utilidade, isto é, a felicidade - o prazer ou a ausência de dor - que dela resulta para o maior número de pessoas envolvidas. Rejeitou o cálculo hedonista do seu mestre Bentham distinguindo entre a qualidade e a quantidade dos prazeres. Não reduz a felicidade ao prazer sensorial ou físico, considerando superiores os prazeres que resultam das actividades intelectuais. A perspectiva de Mill, conhecida pelo nome de utilitarismo clássico, continua a ser amplamente debatida no século XXI e desenvolvida e rectificada em alguns pontos deu origem a novas versões do utilitarismo. Os filósofos utilitaristas mais representativos actualmente são Richard Hare e Peter Singer.
Mill envolveu-se vigorosamente em causas políticas e sociais consideradas radicais para a época: era a favor da igualdade de direitos entre homens e mulheres defendendo especialmente o direito das mulheres ao voto. Argumentou a favor dessas causas em vários escritos e como membro do Parlamento.
Obras principais: Sistema de Lógica (1843); Utilitarismo (1861); Sobre a Liberdade (1859) considerada pelo próprio a sua mais importante obra.
Jean Paul Sartre
Filosofo, dramaturgo, romancista, Sartre é um participante activo e uma figura destacada nos debates sociais e políticos dos anos 1950 - 1970. Adoptando diversos modos de expressão, a sua obra é marcada pela ideia de que o homem se define mediante os seus actos. A liberdade humana é o fundamento radical de todos os valores e exige do homem um compromisso permanente que é o de se escolher a si mesmo como senhor do seu destino.
Thomas Hobbes
Thomas Hobbes (1588-1679), filósofo inglês, é o primeiro pensador que formulou com clareza a ideia de contrato social. Considerava que a alternativa ao estado de natureza era uma comunidade cuja origem era um pacto entre os governados que concediam os seus direitos a um poder central autoritário, denominado Leviathan, símbolo do poder absoluto do Estado, que assegurava em troca a segurança de todos.
John Locke
John Locke (1632-1704), filósofo inglês, é considerado o pai do liberalismo político. A sua teoria política advogando o contrato social tal como Hobbes opõe-se ao poder absoluto do Estado, no caso de Locke ao absolutismo monárquico. A soberania reside na comunidade ou no povo e não no monarca ou no governante. Por isso mesmo ,o Estado deve respeitar os direitos individuais (liberdade, propriedade e procura da felicidade) e os indivíduos podem exigir a mudança de governo caso este não satisfaça tal exigência.
John Rawls
John Rawls (1921- 2004) , filósofo norte americano e tal como Nozick professor da universidade de Harvard, é considerado o filósofo político mais importante do século xx. Propõe um novo conceito de justiça baseado numa nova interpretação da ideia de contrat social.Critica a ideia utilitarista de justiça como utilidade social por unicamente se preocupar com a soma dos bens sociais – com o tamanho do bolo- sem ter em conta o modo como estes se repartem entre os indivíduos. Segundo a interpretação de Ralws o princípio utilitarista «o maior bem estar parta o maior número», é um princípio quantitativo que pode justificar a exploração de alguns indivíduos e grupos desfavorecidos em nome do bem estar geral sacrificando assim a sua liberdade. A teoria de Ralws é conhecida pelo nome de liberalismo social porque não admite nem o sacrifício dos menos favorecidos em nome da eficácia económica ( condenação do liberalismo selvagem e da ideia de Estado minimalista) nem o sacrifício dos mais favorecidos em nome do igualitarismo (rejeição do socialismo autoritário)
Robert Nozick
Robert Nozick (1938 - 2004), filósofo norte americano, escreveu Estado,Anarquia e Utopia três anos depois de Uma Teoria da Justiça. Aí defende um liberalismo radical que considera absolutos direitos individuais como a liberdade e a propriedade. Opõe-se ao conceito de justiça social de Ralws defendendo um Estado mínimo- por isso se opõe ao anarquismo- que como um guarda nocturno proteja a segurança dos cidadãos e as liberdades políticas mas não interfira na vida económica. Propõe uma distribuição da riqueza baseada no mérito dos indivíduos - ideal que considera uma utopia mas que deve regular a vida social. O estado mínimo é o único poder político legítimo e cada indivíduo é titular absoluto do que ganha e adquire. A justiça social é incompatível com a redistribuição da riqueza,seja qual for o critério, por parte de Estado.
Ghandi
Ghandi (1869-1948 é considerado o mais bem sucedido apóstolo da desobediência civil. Permaneceu fiel à ideia de resistência pacífica apesar de milhares de indianos terem morrido no confronto com os britânicos Foi assassinado por um fanático hindu que abominava o diálogo entre as várias religiões do país.
Influenciado pela espiritualidade hindu e pelos escritos do filósofo americano Henri David Thoreau que advogava a resistência a leis injustas, Ghandi pensou que a melhor forma de protesto moral era a recusa em cooperar com leis e medidas injustas do governo britânico. Em certas ocasiões a resistência consistia na ocupação pacífica de propriedades do governo: os manifestantes sentavam-se e não oferecendo resistência violenta também não obedeciam às ordens da polícia e do exército. Por outro lado, ficou célebre a organização de uma marcha de 200.000 pessoas em direcção ao mar para colher sal desafiando o monopólio da sua exploração por parte dos representantes do império britânico. Considerando que era honroso ser preso por uma justa causa e adoptando um método de desobediência que a pouco e pouco minava a força moral do adversário, Ghandi inspirou várias formas de protesto a favor da mudança social. Muitas pessoas que protestam contra as guerras, a degradação do ambiente, os direitos dos humanos e dos animais, utilizam muitas vezes métodos semelhantes.
Freud
Sigmund Freud (1856 – 1939) foi o fundador da psicanálise. Acreditava que cada estádio da vida produz conflitos. Os conflitos que não são resolvidos quando ocorrem são recalcados no inconsciente e dão origem a neuroses, que se manifestam nos sonhos e em problemas de natureza emocional e comportamental. Freud pensava que estas neuroses podem ser superadas desde que os desejos inconscientes que estão na sua origem sejam trazidos à consciência por intermédio de um tratamento psicanalítico que consiste na análise dos sonhos e na associação livre de ideias.
Marx
Karl Marx (1818-1883). Filósofo alemão de origem judia defendia que a filosofia devia transformar o mundo e não simplesmente tentar compreendê-lo. No século xx aproximadamente metade da humanidade viveu décadas sob regimes políticos inspirados no pensamento de Marx. Defendeu que o comunismo seria a única forma de abolir a exploração de um ser humano por outro.
Nietzsche
Nasceu em Rocken (Prússia), filho e neto de pastores luteranos. Frequentou as melhores universidades alemãs tendo-se formado em Filologia Clássica. Em Leipzig, conhece e torna-se por vários anos amigo e admirador de Richard Wagner. Em 1870, foi nomeado professor de Filologia Clássica em Basileia, mas oito anos depois abandona o ensino devido a graves problemas de saúde, tornando-se um filósofo quase sempre solitário. Residiu em diversas cidades italianas procurando o clima mais favorável à sua debilitada saúde. Em 1889, cai em profunda prostração mental, da qual não mais recuperará, morrendo onze anos mais tarde. O seu pensamento é um esforço radical para denunciar as nocivas ilusões morais e religiosas. Critica os valores religiosos e morais que moldaram a cultura ocidental designando-os como decadentes, prejudiciais à vida. Esses valores cristãos envenenam a relação do homem com o mundo e a vida e traduzem o triunfo de um ideal nefasto: o ideal ascético. Opõe à necessidade do “outro mundo” a fidelidade à Terra, ao mundo sensível, o desprezo por consolações celestes para a dureza da existência. A sua filosofia é um apelo exigente à criação de novos valores que traduzam a vontade de dizer sim à vida.
São Tomás de Aquino
São Tomás de Aquino (1225 – 1274) nasceu em Itália numa família aristocrática. Entrou, contra a vontade da família, para a ordem dos Dominicanos em 1244 e, de 1245 a 1252, estudou em Colónia com Alberto Magno, o qual lhe deu a conhecer a filosofia de Aristóteles, que viria a influenciar fortemente o seu pensamento. Depois, ensinou durante vários anos em Paris e Roma, onde foi também conselheiro na corte papal. A sua obra principal, que é uma súmula da sua filosofia, tem, apropriadamente, o título de Summa Theologica e inclui as famosas 'Cinco Vias' para provar a existência de Deus. São Tomás foi canonizado em 1323 e proclamado Doutor da Igreja (Angelicus Doctor) em 1567. Em 1879, o Papa Leão XIII, declarou a filosofia de São Tomás, o tomismo, a teologia oficial da Igreja Católica.
William Paley
William Paley (1743 – 1805) era teólogo, filósofo e educador. Foi ordenado padre da Igreja Anglicana em 1767 e, mais tarde, em 1782, tornou-se arquidiácono. As suas obras mais importantes são Os Princípios da Filosofia Moral e Política (1785), que se tornou imediatamente o manual de ética usado na Universidade de Cambridge; Uma Visão das Provas do Cristianismo (1794), que foi até ao século XX de leitura obrigatória para acesso à Universidade de Cambridge; e, o seu livro mais famoso, Teologia Natural — ou Provas da Existência e Atributos da Divindade Recolhidos em Aspectos da Natureza (1802), que durante muitos anos constituiu a exposição padrão do argumento do desígnio e que inclui a famosa comparação do universo com um relógio. Embora não fosse um pensador original, William Paley era um excelente educador e a forma clara como apresentava os argumentos influenciou muitos estudantes, incluindo Charles Darwin, que foi fortemente impressionado pela sua exposição do argumento do desígnio.
Kierkegaard
Pensador dinamarquês cuja obra é marcada por profundas preocupações religiosas. Como ser autenticamente cristão? numa época em que os que se dizem cristãos não passam de pagãos baptizados é a grande questão de um autor que procura revitalizar a pureza da mensagem cristã. Em Temor e Tremor, Abraão, exemplo do amor e submissão absolutos a Deus, é considerado o modelo do homem de fé, pois para ele Deus está sempre em primeiro lugar e nem o amor a um filho lhe pode ser superior: sem Deus o homem está condenado ao desespero. Podemos escolher uma vida dedicada ao prazer e ao divertimento (existência estética) ou ao cumprimento do dever, das obrigações morais e sociais (existência ética), mas o cristão autêntico aposta no Desconhecido e encontra nessa entrega o sentido pleno (existência religiosa). A fé cristã é sofrimento. Reina a incerteza (não sei se Deus existe) e a incompreensão dos outros, pois colocar Deus acima de tudo implica frequentemente contrariar a moral socialmente estabelecida. Critica Hegel por este ter querido tornar acessíveis à razão os dogmas da fé cristã e as Igrejas por a transformarem num hábito tranquilo e rotineiro. Um dos principais representantes do Fideísmo, defende que a fé é superior à razão.